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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

REUNIÃO EM MIGUEL PEREIRA

 Este mês de fevereiro a nossa reunião foi um passeio ao sítio do associado Miguel Campos, localizado na cidade de Miguel Pereira / RJ. Região serrana do Rio de Janeiro, temperatura amena, muito verde, muita natureza se manifestando por todos os lados.

Apesar da distância, 13 associados se candidataram ao passeio e lotaram uma van, que foi seguida por mais outros tantos associados que foram de carro até o local de encontro.

 A AME-RIO agradece pela carinhosa recepção do casal anfitrião, muito simpáticos Márcia e Miguel, sempre atentos para deixar toda a turma bem à vontade.
Vamos então a algumas fotos do que ocorreu ...

Aqui Zé Andrade o artista, Sr. Walter Gressler, Luiz Carlos e Adalto, todos associados conversando em uma roda na varanda, esperando a chegada dos demais.
Andreas, Loreto (ex PNT atual Galpão Caipira), Ito, Jorge Martins e filho, Júlia, Winckler e Altino, observam as explicações de Miguel Campos sobre as abelhas Jataís da Terra

 Uma grande moita de Manjericão em floração serve, como um verdadeiro banquete, abelhas jataís que começam a ser instaladas em caixas racionais no meliponário de Miguel.
 No caminho o que parecia ser uma telha caída à esmo, é na verdade uma proteção providenciada por Miguel nas entradas de abelhas nativas que ele vai achando em seu sítio. Depois que virou meliponicultor vive tropeçando com essas abelhas em sua propriedade.
  Mais de perto é uma entrada de Guiruçu.
  Aqui uma Jataí em tronco de árvore.
Foto Júlia
 No mourão do canil uma Mirim Preguiça.
Foto Júlia
 Mandaguaris in natura colocando para correr !!!
Foto Júlia
  Na parede externa da casa perto do chão entrada de iraís ... Nesta foto da Júlia dá para ver diversas abelhas mortas perto da entrada, conforme ela, são abelhas que nasceram deformadas devido o período de forte calor.
Foto Julia
 Reza a lenda que um diretor da AME-RIO enfiou o dedo neste buraco para mostrar onde as bombus faziam ninho .... mas a casa não estava abandonada !!! Olha a dona da casa espiando depois da catucada que levou!!!
Fotos Júlia
 Aqui acho que é borá ...
 Aí a galera literalmente entra no mato ... à caça de abelhas nativas ... localizar, identificar e proteger ninhos !
 Como nem todos estão acostumados a andar assim, nosso anfitrião providenciou uma escada para subir barrancos, que também foi junto com a galera.
 Aí vai Júlia
  E aí nosso animado amigo Fritz
No mato além de abelhas também foi encontrado uma formação provocada por formigas no caule de uma planta. Curiosidade, a formação contém um formigueiro completo !!!
Voltando da caminhada exploratória o pessoal começa a se reunir nas imediações da casa para dar continuidade à reunião.
Enquanto isso Abreu, do Meliponário Abreu, e Júlia "brincam" com as mandaçais de uma caixa !!!
Estavam doando campeiras de uma caixa para outra mais fraca.
 Miguel traz alguns chapéus para o pessoal mexer com abelhas sem ferrão ... Até parece que precisa !!!
foto Júlia
E galera aos poucos vai se juntando aguardando a continuidade da reunião.
   Que começa com o atual Presidente Gesimar e Vice Winckler fazendo algumas considerações, colocando todos os presentes em dia das últimas notícias e dando lembretes.
Miguel agradece a presença de todos, que apesar da distância do Rio, compareceram ao encontro até em número maior do que o esperado pelos organizadores. Sinal que reunião tipo passeio turístico foi bem aprovada pelos associados !!!
Apresentei aos associados uma palestra que estamos tentando dar gratuitamente no Parque Nacional da Tijuca com periodicidade mensal. É uma palestra básica que mostra as diferenças entre as abelhas exóticas (APIS) e as nativas. Discorre superficialmente sobre vários assuntos com a finalidade de despertar o interesse dos que ainda não conhecem o MUNDO das abelhas sem ferrão e sua importância.
A palestra foi formatada para que os responsáveis de cada parque, onde a AME-RIO tenha parceria, possa agregar informação a visitação do público aos meliponários. O intuito é atingir principalmente crianças e estudantes, e também turistas, enfim, todo o público que procura os parques como meio de lazer. Enquanto os 40ºC assolavam a capital, nossa sala de projeção era fartamente ventilada pelo puro ar da serra !!! 
Mas ... como saco vazio não para de pé, não dava para ficar só no blá blá blá da palestra ....
Entra em cena um delicioso almoço que foi servido pela Márcia. Empadão de frango, salada, feijões preto e mulatinho ... e muito mais ... A sobremesa foi quindão de chocolate com calda de brigadeiro ... hummmmmm 

Depois de um breve descanso a turma rumou para visitar a propriedade do Paulo Maia. Um criador de abelhas sem ferrão muito conhecido da região. Ele reside em Governador Portela com sua esposa e tem suas abelhas como velhas amigas ... As caixas estão religiosamente intocadas por anos a fio .... Ele as trata como belos animais domésticos que estão sempre devolvendo fortes enxameações para a natureza ... conhecedor dos segredos do hidromel, serviu uns drinks para quem quis experimentar !!! 

Não posso deixar de mencionar e mostrar, que saindo do sítio do Miguel, no meio da estrada há uma árvore muito antiga e frondosa ... muitas flores brancas e um ninho de Iraí em seu pé !!! Quem souber o nome desta árvore pode postar no comentário ....
Detalhes das suas flores 
Ao final, apesar de alguns já terem partido antes, devido a distância, fica o registro da foto oficial da família AME-RIO. Notem que até o Luiz Carlos de Paty do Alferes está na foto !!!

MEDINA

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Hans Staden naturalista







Artigo da
Revista Pesquisa Fapesp 

Edição Impressa 164 - Outubro 2009














Hans Staden naturalista
Autor de obra clássica sobre o Brasil foi o primeiro a descrever as abelhas sem ferrão, há 452 anos



Viagem ao Brasil, de Hans Staden, foi um dos 
primeiros livros inteiramente escritos sobre o país. Desde 1557, quando foi publicado na cidade de Marburg, em Hessen, na Alemanha, é um grande sucesso editorial, com mais de 80 edições em várias línguas. E, mesmo sendo uma obra muito lida há centenas de anos, ainda provoca surpresas. Wolf Engels, geneticista e zoólogo alemão da Universidade de Tübingen, por exemplo, teve a atenção despertada pelo capítulo 35 da segunda parte do livro. Em apenas 115 palavras, Engels identificou a primeira descrição de abelhas sem ferrão já registrada no Brasil e publicou neste ano um artigo na edição on-line da Genetics and Molecular Research.



  
“O livro de Hans Staden é bem conhecido, mas as informações sobre a fauna e particularmente as abelhas-indígenas sem ferrão nunca foram citadas”, diz Engels, que trabalha também no Departamento de Genética da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, e tem projetos binacionais com o Brasil há 40 anos. “Conheço as três espécies muito bem e os detalhes descritos por Staden são precisos.” As abelhas sem ferrão só foram classificadas como um grupo característico, o de meliponíneos, 250 anos depois da publicação de Viagem ao Brasil. O livro trata das duas passagens do artilheiro alemão ao país e conta como foi aprisionado pelos tupinambás, índios antropófagos, mas conseguiu escapar.






O trecho que chamou a atenção do pesquisador alemão é o seguinte: “Três espécies de abelhas há no país. As primeiras são semelhantes às daqui. As segundas são pretas e do tamanho de moscas. As terceiras são pequenas, como mosquitos. Todas essas abelhas fabricam mel no oco das árvores e muitas vezes tirei mel com os selvagens de todas as três espécies. As pequenas têm, em geral, melhor mel que as outras. Também não mordem como as abelhas daqui. Vi, muitas vezes, ao tirarem mel os selvagens, que ficavam cheios de abelhas e que a custo as tiravam à mão do corpo nu. Eu mesmo tirei mel, nu; mas da primeira vez fui coagido pela dor a meter-me na água e tirá-las ali para me livrar delas” (editora Martin Claret, 2008).





As três são, de acordo com Engels, a mandaçaia (Melipona quadrifasciata), a mandaguari (Scaptotrigona postica) e a jataí (Tetragonisca angustula). São abelhas-indígenas com o ferrão atrofiado, nativas do Brasil, onde há mais de 300 espécies do tipo. Embora não piquem, elas defendem seu mel com pequenas mordidas na pele.
Melipona quadrifasciata




Scaptotrigona Postica

Tetragonisca angustula

Paulo Nogueira-Neto, professor emérito da Universidade de São Paulo, autor de Vida e criação das abelhas-indígenas sem ferrão (editora Nogueirapis), foi um dos primeiros pesquisadores a estudar essas espécies no país, assim como Warwick Estevam Kerr, especialista em genética animal.

Nogueira-Neto lembra que o padre José de Anchieta escreveu uma carta ao seu superior na Companhia de Jesus, padre Diogo Laines, datada de 1560, apenas três anos depois de Staden publicar seu livro. Nela Anchieta faz numerosas observações sobre a fauna e a flora brasileiras e também cita abelhas que “fazem seu mel em troncos de árvores”.

Nogueira-Neto conta que quando esteve à frente da Secretaria Especial do Meio Ambiente (1974-1986) e criou a Estação Ecológica Tupinambás, em Ubatuba, usou 
Viagem ao Brasilpara batizar algumas ilhotas. “Na época havia algumas ilhas oceânicas sem nome”, relata. “Como o Serviço de Patrimônio da União não admite lugar sem nome, usei o livro para chamar as ilhas com denominações indígenas porque foi naquela parte do litoral paulista que Hans Staden ficou prisioneiro dos tupinambás”, diz Nogueira-Neto.
> Artigo científico