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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Alzheimer em Abelhas?


Todo mundo sabe que os homens, na velhice, podem se tornar esquecidos. Nos animais domésticos, principalmente em cães, isso também já foi notado. Agora cientistas americanos e noruegueses descobriram que abelhas também podem sofrer da memória.
O estudo foi em Apis melifera, mas é provável que aconteça também em nossas nativas.

Uga

José Halley Winckler


Insetos mais velhos apresentam dificuldade para lembrar caminho de casa.
Cientistas dos EUA e da Noruega publicaram a descoberta na 'PLoS ONE'.

Do G1, em São Paulo
A memória das abelhas também é afetada pelo envelhecimento, segundo estudo realizado pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, e da Universidade de Ciências da Vida, da Noruega. Os cientistas estudaram como a idade compromete a habilidade do inseto em encontrar a colmeia. O resultado foi publicado na revista científica de acesso livre Public Libraty of Science (PLoS ONE).
No experimento conduzido pelas duas universidades, abelhas maduras e velhas foram treinadas para identificar uma nova colmeia, após uma casa anterior ter o acesso fechado. Os insetos receberam vários dias para se adaptar à nova rotina e tentar esquecer da existência da colmeia anterior.
Abelha memóriaAbelhas podem voar longas distâncias para encontrar flores. Saber o caminho de volta à colmeia é fundamental para a sobrevivência desses insetos. (Foto: Christofer Bang / ASU)
Em seguida, todas as abelhas, velhas ou adultas, foram misturadas e os pesquisadores ofereceram três opções: a nova colmeia, para a qual elas haviam treinado, a antiga, que elas deveriam ter esquecido e uma opção controle.
As abelhas mais senis optaram por ir atrás da colmeia mais antiga, mesmo tendo sido ensinadas, recentemente, que a opção não estava disponível.
Daniel Münch, um dos autores principais do estudo publicado na PLoS ONE (em inglês), afirma que, apesar da idade, algumas abelhas ainda conseguem realizar suas tarefas com excelência.
Essa diferença seria uma prova de que, assim como os humanos, os insetos também possuem uma variedade de funções cerebrais entre os indivíduos. Enquanto algumas abelhas envelhecem a mantêm a memória intacta, outras apresentam dificuldades para assimilar novas informações.
Saber o caminho de casa é importante para a sobrevivência das abelhas na natureza. Na natureza, os insetos costumam ser bons "navegadores", capazes de encontrar o lar mesmo após passarem por ambientes diferentes em busca de flores.
Abelhas conseguem aprender o caminho para casa após três ou quatro dias de voo. As maduras fazem o trajeto de ida e volta de 5 a 11 dias. As idosas já usaram as asas para as visitas às flores por mais de duas semanas. As operárias vivem até, no máximo, dois meses.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Hans Staden naturalista







Artigo da
Revista Pesquisa Fapesp 

Edição Impressa 164 - Outubro 2009














Hans Staden naturalista
Autor de obra clássica sobre o Brasil foi o primeiro a descrever as abelhas sem ferrão, há 452 anos



Viagem ao Brasil, de Hans Staden, foi um dos 
primeiros livros inteiramente escritos sobre o país. Desde 1557, quando foi publicado na cidade de Marburg, em Hessen, na Alemanha, é um grande sucesso editorial, com mais de 80 edições em várias línguas. E, mesmo sendo uma obra muito lida há centenas de anos, ainda provoca surpresas. Wolf Engels, geneticista e zoólogo alemão da Universidade de Tübingen, por exemplo, teve a atenção despertada pelo capítulo 35 da segunda parte do livro. Em apenas 115 palavras, Engels identificou a primeira descrição de abelhas sem ferrão já registrada no Brasil e publicou neste ano um artigo na edição on-line da Genetics and Molecular Research.



  
“O livro de Hans Staden é bem conhecido, mas as informações sobre a fauna e particularmente as abelhas-indígenas sem ferrão nunca foram citadas”, diz Engels, que trabalha também no Departamento de Genética da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, e tem projetos binacionais com o Brasil há 40 anos. “Conheço as três espécies muito bem e os detalhes descritos por Staden são precisos.” As abelhas sem ferrão só foram classificadas como um grupo característico, o de meliponíneos, 250 anos depois da publicação de Viagem ao Brasil. O livro trata das duas passagens do artilheiro alemão ao país e conta como foi aprisionado pelos tupinambás, índios antropófagos, mas conseguiu escapar.






O trecho que chamou a atenção do pesquisador alemão é o seguinte: “Três espécies de abelhas há no país. As primeiras são semelhantes às daqui. As segundas são pretas e do tamanho de moscas. As terceiras são pequenas, como mosquitos. Todas essas abelhas fabricam mel no oco das árvores e muitas vezes tirei mel com os selvagens de todas as três espécies. As pequenas têm, em geral, melhor mel que as outras. Também não mordem como as abelhas daqui. Vi, muitas vezes, ao tirarem mel os selvagens, que ficavam cheios de abelhas e que a custo as tiravam à mão do corpo nu. Eu mesmo tirei mel, nu; mas da primeira vez fui coagido pela dor a meter-me na água e tirá-las ali para me livrar delas” (editora Martin Claret, 2008).





As três são, de acordo com Engels, a mandaçaia (Melipona quadrifasciata), a mandaguari (Scaptotrigona postica) e a jataí (Tetragonisca angustula). São abelhas-indígenas com o ferrão atrofiado, nativas do Brasil, onde há mais de 300 espécies do tipo. Embora não piquem, elas defendem seu mel com pequenas mordidas na pele.
Melipona quadrifasciata




Scaptotrigona Postica

Tetragonisca angustula

Paulo Nogueira-Neto, professor emérito da Universidade de São Paulo, autor de Vida e criação das abelhas-indígenas sem ferrão (editora Nogueirapis), foi um dos primeiros pesquisadores a estudar essas espécies no país, assim como Warwick Estevam Kerr, especialista em genética animal.

Nogueira-Neto lembra que o padre José de Anchieta escreveu uma carta ao seu superior na Companhia de Jesus, padre Diogo Laines, datada de 1560, apenas três anos depois de Staden publicar seu livro. Nela Anchieta faz numerosas observações sobre a fauna e a flora brasileiras e também cita abelhas que “fazem seu mel em troncos de árvores”.

Nogueira-Neto conta que quando esteve à frente da Secretaria Especial do Meio Ambiente (1974-1986) e criou a Estação Ecológica Tupinambás, em Ubatuba, usou 
Viagem ao Brasilpara batizar algumas ilhotas. “Na época havia algumas ilhas oceânicas sem nome”, relata. “Como o Serviço de Patrimônio da União não admite lugar sem nome, usei o livro para chamar as ilhas com denominações indígenas porque foi naquela parte do litoral paulista que Hans Staden ficou prisioneiro dos tupinambás”, diz Nogueira-Neto.
> Artigo científico









terça-feira, 4 de maio de 2010

O forrobodó das Jandaíras

Meliponário UrbanoTem gente que estuda e pesquisa, tem gente que escreve com facilidade. Entre os meliponicultores tem alguns que reúnem essas qualidades. Quando isso acontece, é muito gostoso ler os seus artigos. Vou transcrever aqui o último artigo do Kalhil, do Meliponário do Sertão. Um Meliponicultor com M maíusculo, Pesquisador e Estudioso das nossas abelhas nativas, além disso escreve de uma forma que torna a leitura de seus artigos muito agradável. 

Aí está um artigo dele:

O Forrobodó das Jandaíras!!!

Todo ano é assim, chegado o período de inverno algo diferente começa acontecer com as minhas colônias de Jandaíras. Sinceramente, nunca dei muita bola para esse comportamento pois sempre achei que fosse apenas algum destempero provocado pelo excesso de chuvas ou mesmo alguma irritação provocada pelo grande volume de manejo por nós do meliponário em quase todas as caixas, tanto para colher mel como para desdobrar as colônias.



Acontece que todo mês de maio as abelhas simplesmente escolhem algum lugar no meliponário para fazerem aquilo que o Monsenhor Humberto Brumeng passou a chamar de o "Forrobodó das Jandaíras". É uma aglomerado de abelhas em lugares geralmente sombreados onde se pode perceber todo tipo de gente alada nesses encontros.
É realmente uma grande muvuca, chega gente de todo lugar com as mais variadas intenções, fazendo uma comparação com um tradicional festa de forró, podemos dizer que essa festa tem um motivo de  comemoração aparente, estamos diante de uma enxameação.
Na verdade, não é bem uma enxameação, mas sim pontos de fecundação. Já pude constatar que boa parte das abelhas que estão nesses lugares são machos, não é a maioria, mas a presença desses rapazes nessa região denuncia que alguma coisa os atrai para esses lugares. Para descobrir o que realmente os atraía passei esses últimos 12 dias praticamente com olhos vidrados nesse gente farrista. 
Para estimular resolvi posicionar uma pequena caixa no intuito de provocar ainda mais o alvoroço. E parece que deu certo, o que era apenas um pequeno baile de 15 anos se tornou uma grande vaqueijada.
Para explicar o que vi e o que vejo, nada melhor que contar uma paródia a respeito desse povo de asas que tanto gosto.
"Há gente servindo bebida como se fossem as garçonetes da festa, bem como um pessoal que chega carregado com muito pólen, o curioso é que antes da caixa elas simplesmente serviam aos participantes do evento, agora passaram a estocar dentro da caixa, por que será??? Talvez alguém venha a reinhar
naquela casinha...
Os mais invocados são os machos, se posicionam na cabeceira da danceteria e esperam alguma moça velha passar para humildemente solicitarem um copo de vinho, alguma, de bom coroção, acaba cedendo um líquido açucarado ao cavalheiro em sua boca...



Não satisfeito com tal cortesia do beijo doce o cabra se atreve e chamar a moça velha para dançar, a resposta ríspida é quase que imediata - O Dr. não sabe que moça velha não gosta de dançar acompanhada, procure uma moça nova,  procure uma princesa!!!


O cavalheiro baixa a cabeça e recua voltando a posição de espera, acuado, fica a observar todas as outras a dancarem sozinhas...
Mas já dizia o profeta, Deus tarda mais não falha!!! A persistência vale a pena, derrepente chega uma moça solitária, de coloração chamativa acentuada, levemente dourada, sua cor parece denunciar ser de família importante...




Mal pousa na pista de dança e as moças já passam a trata-lá com afeição, parece que todas querem ser amigas daquela jovem moça que atrai muitos olhares, principalmente dos rapazes que passam a se amostrem sem pudor... 
- Olhe princesa, eu sou o mais forte. Outro passa e diz: - Ele é o mais forte mas eu sou o mais bonito. Nesse instante outro mais afoito toma a vez e diz: - Não olhe para eles, eu sou o mais inteligente.



A pobre moça, ainda desconcertada com tantos galanteios, demonstra timidez, mas no fundo já sabe muito bem a quem lhe entregará o seu bem mais precioso, a sua castidade.
Rapidamente, as moças mais velhas conduzem a jovem princesa para um canto reservado, longe de olhares humanos curiosos e sedentos por fotos de uma evento único na vida de uma moça pura. Ora, nada mais lógico, quem já viu intimidades no meio de um salão?
O galã, já afoito para a consumação do ato parece ser preparado pelas irmãs mais velhas... - Olhe, vá devagar viu!!! A moça é pura e nunca fez isso na vida e essa será a única vez, faça de um jeito que lhe traga boas recordações.



O galã, quase não contendo sua anciedade diz: - Não se preocupe minha senhora, essa  também é a minha primeira vez e terei paciência suficiente para aproveitar todos os segundos desse momento. Não demora muito e a princesa, de modo singelo e pacato, chama o rapaz para dentro da caixa e lá, no escurinho do cinema a coisa literalmente acontece.
Algum tempo depois o rapaz, saciado de tanta paixão, sai da caixa e cai no meio do salão. Exausto, ainda dá tempo para falar algumas palavras antes de partir dessa para melhorar: - Gente, a moça agora é senhora!!!
O rapaz falece, mas todas passam a voar de alegria, é a primeira vez que vejo a morte de alguém ser tão comemorada...
Já é tarde, todavia o forrobodó não vai parar tão cedo, pois muitas outras moças novas ainda vão passar por ali e algum outro galã pode ter a sorte de morrer feliz..."
att,
Mossoró-RN, 04 de maio de 2010.

Kalhil Pereira França







Meliponário do Sertão




quarta-feira, 14 de abril de 2010

Abelhinha velha prá xuxu!

O âmbar Dominicano é conhecido não só por sua transparência e brilho, mas também pela grande variedade das suas inclusões: insectos, aracnídeos e fragmentos botânicos podem ser encontrados em seu interior. 

Este fragmento de âmbar lapidado vem das minas de La Bucara e seu conteúdo é muito original: uma abelha sem ferrão, com a língua extendida.

Do genero Proplebeia dominicana, a abelha parece estar voando com a língua para fora. Esta espécie viveu no período do Mioceno (entre 20 e 15 milhões de anos atrás) e está extinta, assim como a árvore do âmbar (Hymenaea protera).



As abelhas sem ferrão são os insectos mais comuns encontrados no âmbar dominicano. Elas recolhiam a resina da árvore a fim de construir seus ninhos e, algumas vezes. ficavam agarradas nessa resina. 

A gema aqui apresentada está sendo leiloada no e-Bay e sua lapidação é em cabochão.

Cabochão vem do francês “cabochon” e significa prego de cabeça arredondada e deu o nome a uma forma de lapidação.

As imagens foram retiradas do site do e-Bay, onde essa gema está sendo leiloada.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Os Aborígenes e as Abelhas sem Ferrão


An Australian Aborigine Playing a Didgeridoo Impressão giclée emoldurada
Os aborígenes australianos são hábeis coletores e fazem a festa quando encontram uma colméia de abelhas sem ferrão. Embora suas abelhas nativas não sejam maiores do que uma mosca, são ótimas provedoras de alimentos. Uma vez encontrada uma colméia, os favos são devorados ansiosamente – cera, mel, pupas, abelhas mortas, formigas, tudo. O galho que é utilizado para retirar a colméia da árvore é jogado no fogo, e por esse simples ato os espíritos das abelhas vão para o céu, o Paraíso dos Espíritos, onde ficam até que Mayra, o Vento da Primavera, sopre vida dentro das flores novamente. Então as abelhas retornam ao Paraíso da Terra para recolher o mel e encher as barrigas da humanidade.

Bees and Honey

Não acredito que as abelhas tenham sido criadas apenas para fornecer alimento para homens e mulheres. Em suas curtas e ocupadas vidas elas se dedicam a recolher mel e armazená-lo para a próxima geração e os seus ninhos ficam bem escondidos entre os galhos e troncos ocos de árvores. Os aborígenes têm vários métodos de descobrir onde estão escondidos os ninhos, mas talvez o mais engenhoso é o caminho que foi descoberto pelos irmãos Naberayingamma. 





Day 5 (26.3.07) - Oodnadatta Track

Estes dois homens Numerji viveram há muito tempo atrás. Eles eram gigantes barbudos que participavam de uma longa caminhada pela terra. Eles nunca tinham visto abelhas, até que chegaram a uma árvore coberta de resina vermelha onde estas pequenas criaturas estavam ativamente envolvidas em seu trabalho.




"Olhe aqui uma coisa maravilhosa", disse o irmão mais novo. "Estes bichinhos estão tirando mel das flores e voam com ele. Gostaria de saber para onde eles estão levando".
"Nós vamos descobrir em breve", disse o irmão mais velho. "Vou mostrar-lhe como descobrir seu ninho. Quando o acharmos teremos mel em abundância  para nós dois. Vá e corte uma forquilha e traga-a para mim".
O irmão mais novo tinha aprendido a confiar sagacidade do seu irmão. Enquanto ele estava procurando por um ramo apropriado, o outro encontrou um galho que continha uma teia de aranha. Ele puxou a teia, e quando o irmão voltou com a forquilha, ele a usou para pegar a teia, e logo subiu nos galhos da árvore vermelha.
"Eu vou colocar pedaços da teia sobre as abelhas", ele gritou para o irmão. "Você então será capaz de enxergá-las claramente. Veja para onde elas vão".
Por algum tempo ele ficou ocupado colocando minúsculos fragmentos da teia de aranha sobre as abelhas que ele conseguiu pegar.
De repente, seu irmão voltou correndo.
"Eu encontrei", ele gritou. "Eles voam para uma árvore oca lá em baixo. É onde o ninho deve estar.
"O Naberayingamma mais velho desceu e os irmãos foram juntos para a árvore oca. Eles quebraram a casca com os seus bastões, retiraram o ninho com o mel e o comeram com avidez.
Desde esta descoberta os aborígines aprenderam a arte de colocar nas abelhas um pedaço minúsculo de teia de aranha ou algum outro material facilmente distinguível  para orientá-los na busca de seus ninhos.
A.W. Reed,  Aboriginal Fables

As imagens dessa postagem foram retiradas da Internet 

domingo, 11 de abril de 2010

Abelha Caipira

Vocês já viram um retireiro ou ordenhador, com um banquinho de um pé só amarrado no traseiro?
Não lembra àquelas abelhas de desenho animado?


Bem, este post não é para bulir com a figura do retireiro, personagem tão importante em nosso meio rural,  e nem para falar do ferrão das abelhas mas para trazer para vocês minha mais recente descoberta: 


As abelhas sem ferrão também ordenham.


É claro que quando eu digo minha mais recente descoberta, não estou dizendo que fui o primeiro a saber disso, não, tem muita gente estudando nossas abelhas e publicando os resultados de seus trabalhos. E eu, como muitos outros Internautas, acabo "descobrindo" artigos e publicações extremamente interessantes, enquanto procuro outros assuntos através das ferramentas de pesquisa.

Nós já sabíamos que nossas abelhas exercem os mais diversos papeis, amas, faxineiras, guardas, coletoras, construtoras, armazenadoras, etc, etc... Mas agora eu descobri um artigo que diz que nossas amigas também ordenham.


Muitos insetos, como as cigarrinhas (Aetalion reticulatum ), passam a vida sugando os sucos das plantas. Porque esta seiva da planta é muitas vezes deficiente em aminoácidos, estes insetos necessitam processar grandes quantidades de seiva para extrair todo o aminoácido que eles precisam. Esta seiva extra pode ser muito doce e é, portanto, atraente para muitos insetos, como formigas e abelhas. Algumas cigarrinhas podem ser estimuladas por abelhas sem ferrão para liberar gotas adocicadas que as abelhas utilizam para se alimentar. A abelha pode então proteger a cigarrinha dos predadores.



Referências:

Almeida MC, Laroca S, 1988. Trigona spinipes (Apidae, Meliponinae): taxonomy, bionomy, and trophic relationships in restricted areas.Acta Biológica Paranaense 17: 67-108
Almeida-Neto M, Izzo TJ, Raimundo RLG, Rossa-Feres DC, 2003. Reciprocal interference between ants and stingless bees attending the honeydew-producing homopteran Aetalion reticulatum (Homoptera: Aetalionidae). Sociobiology 42: 369-380
Figueiredo RA, 1996. Interactions between stingless meliponine bees, honeydew-producing homopterans, ants and figs in a cerradoarea. Naturalia, São Paulo 21:159-164
Laroca S, 1997. Mutualism association between Trigona fuscipennis (Hymenoptera, Apoidea) and Anchistrotus amitteraglobus, an Amazonian membracid that suffers natural mutilation of the pronotum. Acta Biologica Paranaense. Jan. Dec. 26:1-8





sexta-feira, 9 de abril de 2010

A rainha paranóica


A rainha paranóica

Eduardo Bessa
Naquela manhã no consultório psicanalítico.
A doutora saiu de sua sala ao ouvir os tambores e trombetas e chegou bem a tempo de ver a comitiva real saudando a entrada da rainha enquanto sua secretária, ainda na primeira semana no cargo, se encostava contra a parede oposta assustada.
- Vossa Majestade, que honra recebê-la mais uma vez! Vamos entrando, por favor. - E a analista escoltava a rainha para dentro do consultório.
A rainha havia mudado bastante desde que a doutora a vira pela última vez. E não era apenas a substituição da aparência jovial esbelta e pequena por um traseiro enorme que a rainha agora arrastava atrás de si como um produto das gerações seguidas de filhos que produzia. Antes ela emanava o viço de ter acabado de tornar-se rainha e o frescor que sua única oportunidade de acasalar na vida a tinha concedido. Nesta manhã a rainha parecia exausta e desconfiada.
- O que vossa majestade me conta? - Interrogou-a a terapeuta na penumbra.
- Doutora, nunca imaginei que ser rainha fosse tão duro. Desde que eu era apenas uma larvinha protegida dentro da célula de cria onde cresci eu sonhava em ser uma rainha. E agora que este sonho se realizou sinto falta das coisas boas da vida. - A abelhinha estava deitada no divã, mas percebia-se que seu corpo estava teso.
- É verdade, o poder cobra seu preço. Mas diga-me, o que a perturba?
- Olha, passo o dia todo perambulando pela colméia, eliminando feromônios para inibir as insurgentes e botando incontáveis ovos. O tempo todo minhas operárias se queixam da carga de trabalho e exigem mais ovos, principalmente querem irmãs. Sempre irmãs! Às vezes me pergunto quem é mesmo que manda naquela colméia.
- Trivers também se perguntou isso e as notícias não são as melhores. - Respondeu a psicóloga.
- Todos me perseguem! - Queixou-se a suprema sem escutar o comentário.
- Não é verdade. - Disse a analista.
- Ninguém acredita em mim - Retrucou a rainha.
- Eu acredito, majestade.
- A doutora diz isso só para me agradar.
- Eu não estou aqui para te agradar!
- Por que não? - Perguntou a rainha com olhar tristonho e as asinhas baixas.
rainhaparanoica
Esse círculo branco em cima da rainha não é a coroa
Fonte: D. A. Alves
A abelha agora olhava ao redor, tensa. E continuou: - Na verdade, acho que minhas súditas, hemolinfa da minha hemolinfa, estão se rebelando contra mim. - Por fim revelou a monarca em um sussurro e engolindo em seco.
- Mas isto é muito grave! - Exclamou a terapeuta. - O que a levou a concluir isso?
A rainha fez sinal para que a doutora se aproximasse e olhou para a porta antes de prosseguir com a voz cada vez mais baixa. - Doutora, tem aparecido uns machinhos meio esquisitos das células de cria. Tenho certeza que aqueles não são filhos meus. E, se não são filhos meus, isso só pode ser sinal de um golpe de estado. Bem que a plebe me ameaçou. Se meu reinado não lhes satisfizesse então elas se reproduziriam.
- E você tem certeza de que estes machos são filhos de suas súditas revoltosas? Acho que deveria se preocupar menos, tenho certeza de que são descendentes da antiga rainha. - A voz da analista vindo daquele canto escuro e invisível atrás do divã não deixava a rainha nem um pouco à vontade.
- Você acha que poderiam ser netos da falecida? - A abelha eriçou as anteninhas pensando consigo mesma. - Isso explicaria por que eles nem se parecem comigo, explicaria a presença daquelas operárias tão velhas e ranzinzas e explicaria a devoção de minhas operárias ao cuidado com a minha prole. Talvez então não seja pura falsidade da minha corte. Talvez não estejam querendo me depor ou, pior, arrancar-me a cabeça. - Os ocelos da rainha recomeçavam a ganhar brilho e um esboço de sorriso surgia em seus palpos labiais.
- E não se esqueça que estas operárias remanecentes nem são aparentadas suas, elas não teriam nada a perder em deixar seus filhos aos cuidados das operárias que deveriam se ocupar da sua prole. - Lembrou a psicóloga.
- Estou tão aliviada. Nem dormia mais direito com medo de tornar-me uma Maria Antonieta de seis pernas, ficando com as cerdas brancas da noite para o dia antes da execução. Doutora, te devo a estabilidade política de meu reino. - Bradou a monarca.
- Nosso tempo se esgotou, majestade. Posso esperá-la na próxima semana?
Ao abrir da porta a comitiva real imediatamente se curvou em reverência. A rainha caminhou para fora do consultório parecendo muito mais leve. - Pode apostar, doutora. Até logo.
Alves DA, Imperatriz-Fonseca VL, Francoy TM, Santos-Filho PS, Nogueira-Neto P, Billen J, & Wenseleers T (2009). The queen is dead--long live the workers: intraspecific parasitism by workers in the stingless bee Melipona scutellaris. Molecular ecology, 18 (19), 4102-11 PMID:19744267