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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

MELIPONICULTURA NA FLORESTA DA TIJUCA

 Hoje vou mostrar como o pessoal da Floresta da Tijuca tem interesse pela Meliponicultura e a conservação dos bens florestais.
A postagem é sobre o salvamento de dois enxames em perigo, que Matheus e sua equipe realizaram nas dependências de um parque recreativo próximo ao centro de visitantes da Floresta da Tijuca.

A história inicia quando a equipe de guardas da Floresta percebeu a existência de um grande enxame de trigonas sob uma das churrasqueiras. Como as informações sobre meliponicultura ficaram mais disseminadas após o projeto do Meliponário na Floresta, acho que todos ficaram mais sensibilizados e alertas pelo tema.

 Essas abelhas na churrasqueira são da mesma espécie que a Júlia observou sobre o Araribá durante o inverno.

Assim que eu soube da existência do enxame, ainda durante o inverno, procurei nas diversas visitas de manutenção que fiz ao meliponário da Floresta da Tijuca, acompanhar a movimentação e o comportamento do enxame. Acabei percebendo a existência de mais um enxame em outra churrasqueira próxima, eram abelhas Jataís.

Conforme o tempo foi firmando e a temperatura subindo, notei na sequência de visitas que fazia ao parque, que os dois enxames corriam perigo. Na falta de outras churrasqueiras vagas, as churrasqueiras com as abelhas começaram a ser cotadas pelos visitantes, apesar da revoada que as abelhas faziam. 
Aí que as coisas começaram a ficar feias.
Não é possível ficar tomando conta de todos os grupos de visitantes ao longo de todo o tempo de permanência. Espera-se dessas pessoas o mínimo de civilidade, ou de consciência ecológica, afinal a mensagem ecológica é bem disseminada por todas as mídias. O mundo hoje em dia é bem conectado tanto para uma criança de 5 anos de idade como para um idoso.
Pois bem, presenciei pelo menos dois finais de ataques do bicho homem aos dois enxames.
Desculpem a crítica, mas esses pseudos adoradores de natureza, que procuram o aconchego de um espaço paradisíaco como a Floresta da Tijuca para passar um fim de semana com a família ou com os amigos, conseguem atacar as pobres abelhas.
Uma vez cheguei e havia uma tocha ainda fumegando enfiada dentro da entrada de um dos enxames. Tocos de madeira, pedaços de carvão privando a entrada das abelhas. Vi de tudo.

Matheus e outros também ficaram indignados com a atitude dos visitantes. Infelizmente quando percebemos esses ataques, os responsáveis já não estavam presentes para serem autuados. Sugeri a equipe da Floresta fazer uma identificação no local de cada enxame, de forma a conscientizar quem fosse utilizar a churrasqueira, mas no final a solução foi bem mais adequada !!! Resgate !!!

Segue abaixo a série de fotos que Matheus e sua equipe fizeram do resgate dos dois enxames.
O primeiro enxame, estava instalado sob a lateral de uma churrasqueira. O trabalho foi duro para a equipe da Floresta, pois foi necessário quebrar a base de cimento para se ter acesso ao enxame.
Não sei como o Matheus e sua equipe conseguiu, pois estas abelhas formavam uma nuvem espessa quando incomodadas, e bombardeavam todos que chegavam perto com resina.
Estas abelhas são muito interessante pois parecem dois tipos diferentes em um mesmo enxame. Haviam alguns indivíduos claros e bastante parecidos com a Trigona fulviventris, a entrada do ninho também é muito parecida com a dessa abelha. E outros indivíduos de abdomen escuro.
Identificação de abelhas não é tão fácil assim, dentro da associação houve dúvida em relação a nomenclatura. O negócio é coletar os espécimes, tanto das abelhas claras, como das escuras, e enviar para para especialistas taxonomistas.
Voltando ao assunto das abelhas da churrasqueira, se fosse colocar algum nome provisório foi sugerido Trigona fulviventris aff., mas o melhor será esperar a identificação correta.
Quem quiser se aventurar na identificação, seguem algumas fotos dessas abelhas!!!

 

 




..... Bem, continuando a apresentar as fotos feitas pelo Matheus, temos um espetacular involucro do tamanho de uma bola de futebol. Olhem como foi preciso abrir caminho através da parede da churrasqueira para retirá-lo por inteiro sem injúrias. O pessoal foi bem cuidadoso até neste aspecto !!
Conforme relato do Matheus, o enxame convivia harmoniozamente com formigas vermelhas, e cupim ... tudo dentro do mesmo buraco !!!!
Abaixo a Rainha, nas mãos do salva vidas de abelhas sem ferrão ...
Mais um close a Rainha em outra perspectiva !!!
Olhem o baita do ninho com discos !!! Comparem com o tamanho das mãos.
Agora o enxame dentro de uma caixa com bastante resina coletada e espalhada pelas paredes.
Corretamente a caixa foi colocada próximo a entrada original para resgatar as campeiras até à noite.
Essa já é a caixa no meliponário.
Rapidamente elas já refizeram a entrada com sua abertura característica !!!
A equipe do parque está de parabéns !!!
A turma não perde tempo e alguns dias depois foi a vez de salvar as Jataís da outra churrasqueira.
Olhem onde elas se meteram, bem na rachadura !!!
Na posição em elas se encontravam, bem na frrente da churrasqueira .... não tinham chance nem de se defenderem quando havia churrasco, o pito sumia até sem querer .... num esbarrão com as pernas do churrasqueiro!
Apesar de menores, as jataís não deixavam os salva vidas de abelhas em paz ... uma camisa serviu de proteção !!!
Gente, reparem como as danadas se escondem bem !!! Olhem o tamanho do estrago que foi feito para resgatá-las !!!
E o rombo foi sendo feito, e mais e mais ... cadê elas ??
Parece uma câmara das pirâmides !!! Lá no interior deste baitão de espaço, bem no meio, um invólucro de Jataís !!!
E todo ele foi então facilmente acessado e retirado daquela casa imprópria !!! Cabia em uma palma de mão, mas é um enxame valente !!!
Foi logo acomodado dentro de uma caixa racional !!!
E mais uma vez, a caixa ficou no local do salvamento até as campeiras retornarem !!!
Um pouco de cera para ajudar na manufatura do pito, e ....
Tudo foi para um local mais adequado ... o meliponário da Floresta da Tijuca
Reparem bem como as danadas são trabalhadeiras !!! Logo, logo, um pito novo. Desta vez, protegido !!!

 A Turma do Matheus está toda de parabéns. O espírito de cuidado e proteção a este importante instrumento de polinização das florestas está vivo entre a equipe da Floresta !!!
As abelhinhas foram devidamente resgatadas e salvas. 
Agora as churrasqueiras estão livres para os visitantes menos "cuidadosos".
PARABÉNS A TURMA DA FLORESTA E SEUS ADMINISTRADORES !!!

Medina


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Enawenê-Nawê e as Abelhas sem Ferrão

 Esta postagem foi feita pelo Facebook Ethnobeeology
 É de um seguidor da página da AME-RIO no Facebook. Ele revela no texto a importância das abelhas sem ferrão na vida dos índios ENAWENÊ NAWÊ do Mato Grosso.

Os Enawenê Nawê no Brasil são um povo com grande conhecimento e respeito por muitas espécies de abelhas. Mel de abelhas sem ferrão e peixes são os components principais de sua dieta (eles não comem carne vermelha). Eles e outros dizem que as barragens hidrelétricas (mais de 75) a serem construídas no Rio Juruena irão interferir com a sua tradicional pesca e coleta de mel.
Saiba como ajudar a situação aqui http://www.survivalinternational.org/tribes/enawenenawe/

Leia abaixo trechos do conhecimento tradicional sobre as abelhas sem ferrão (Apidae: Meliponina) usados pela tribo Enawenê-Nawê no oeste Brazil.J Ethnobiol Ethnomed. 2008; 4: 19. De autoria de Gilton Mendes dos Santos e Antonini Yasmine.

". .. As abelhas sem ferrão e seus produtos representam um dos principais recursos naturais conhecidos os Enawenê-Nawê. O mel é um dos produtos naturais mais apreciados na cultura Enawenê-Nawê. Cada coisa saborosa que os índios provam é comparado ao mel:." Maha ikyari! "-" mesmo como o mel! "-. se costumava dizer.
 Questionado por um repórter durante um jogo indígena no Brasil sobre a fonte de força dos homens da tribo, uma Nawe imediatamente respondeu que vem do mel. Dada a importância deste alimentona dieta .... mel de abelhas sem ferrão produz 4,53 kcal / kg, tornando-se suficientemente calórica. "

"O Enawenê-Nawê definem diferentes estruturas da colmeia. Por exemplo, a entrada do ninho é chamado iuxi, os potes de mel são chamados enolone maha, os favos utilizados para reprodução são chamados enesehi, eo batume é chamado edetera, etc As larvas, pré-pupas e pupas são chamadas indistintamente dioa (criança). No entanto, a pupa (antes de emergir a partir da célula) é referido como enolone, e as abelhas adultas são referidos como elalaykira ".

"Os Enawenê-Nawê identificam cada espécie de abelha, associando sua morfologia com características sociais e ecológicos, tais como o lugar da estrutura dos seus ninhos, seu comportamento, os hábitos alimentares, a quantidade e o sabor do mel. Neste trabalho, citamos 48 espécies diferentes ..... todos do Meliponina sub-tribo ".
Interessante são os nomes tradicionais dados por eles as abelhas:
Koretosero – Kulata – Layrihi – Lokorihi – Loleylala – Lorese – Losewirara – Mayri – Natawane – Tahadodoya – Tahõhõ – Talaxawayri – Talokixita – Tariwase – Tawowene – Tayrikeytowa – Wareware – Wawixi – Waykywane – Wilalakowri – Woyawayoko – Yamayriri – Yawaloeta – Yolodoata - Yolotare ou Loreseri
 

"De acordo com os Enawenê-Nawê, no passado mítico, todas as espécies das abelhas sem ferrão costumavam viver em uma árvore gigante, que era muito grosso e alto. Nele, todas as abelhas fizeram seus ninhos. Algumas espécies usadas para viver na parte baixa, e outros viviam na parte superior da árvore.  A partir de então, elas se espalharam-se e começou a viver no mato. O gênero Apis, mais tarde conhecido por eles e genericamente denominada como telelori, foram, de acordo com sua origem , doadas por uma entidade celestial como um de seus xamãs. "
 (abro um parênteses aqui ... O Xamã tem nome : Kerr)

"O índio encarregado como coletor de mel procura as árvores mais velhas e mais grossas para garantir a presença de abelhas. Um toque com as costas da faca grande no tronco ajuda a agitar as abelhas e atraí-los para fora, tornando mais fácil a sua identificação. Outro bom indicador de que uma colmeia está presente é a presença de um pequeno pássaro chamado xokwi. É um consumidor inseto ansioso, mas as cores da sua pluma mistura-se com o verde da floresta, tornando-o difícil de detectar. No entanto, um coletor experiente ouve seu canto, que os Enawene- Enawene acreditam ser: "É aqui!", em referência à presença de abelhas.
Em um dia médio de coleta, os homens encontraram quatro ou cinco colméias de abelhas sem ferrão, que, em média, produzem 2-3 kg de produto por aproximadamente cinco horas de trabalho. "
 Os Enawenê-Nawê normalmente adicionam água no mel, para a obtenção de uma solução (hidromel) que eles chamam de mala. Eles também usam o mel para adoçar bebidas e comer com certas frutas, especialmente o buriti (Mauritia flexuosa).
Dentre muitas citações do trabalho original, escolhi esta espécie: 

Trigona dallatorreana

Nome Enawenê Nawê - Irikayti
Nome Popular: Tu

Trigona braueri

Nome Enawenê Nawê - Irikayti
Nome Popular: Abelha Cachorro



De acordo com a Enawenê-Nawê, estas duas espécies de Trigona são consideradas como sendo uma. Suas colmeias geralmente penduram a partir de árvores, ligados à árvore unicamente pela parte superior dos ninhos. As abelhas são um pouco agressivas. O pouco de mel que elas produzem é altamente valorizado pela Enawenê-Nawê.
  Trabalho completo:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2562997
Medina 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

MAQUETE de NINHO

Olá gente !!!

Hoje vou tentar ensinar o passo a passo de como se montar um modelo de maquete de ninho de meliponas.
Mas antes vou começar com um breve histórico de como esta idéia nasceu.
Comecei na meliponicultura há alguns anos atrás (alguns bem pouco), e como outros companheiros da AME-RIO, aprendemos e fizemos cursos ao vivo e à cores no Meliponário Escola do Mestre PPP.
Nossa .... ótimas tardes passamos lá quando neófitos !!! O professor é rígido e nos cobrava prova prática e escrita, e ainda fazia pegadinhas para que respondêssemos. Lá aprendemos e adotamos termos como "Anel Nascente", "Disco Mater", "Disco Nascente" etc.
Nossas aulas eram realizadas em um pedestal de madeira com folhas grandes que pacientemente o professor desenhava com caneta hidrocor esquemas do ninho, pedia que desenhássemos e fazia perguntas.
Eramos em pouco número, e quando havia necessidade de mostrar ao vivo, todos se juntavam e a demonstração era feita. E assim iam ocorrendo as aulas até o teste final, em que fazíamos a multiplicação sozinhos e sob os olhos atentos e críticos do mestre PPP.
O tempo passou, a AME-RIO cresceu e o número de interessados também.
Em uma reunião da associação no meliponário do Carlinhos, eu e Winckler observávamos afastados a quantidade de cabeças e o ombro a ombro dos vários interessados em ver o Carlinhos manipulando uma caixa de mandaçaia.
O Winckler brilhantemente percebeu a necessidade de uma solução para aquelas ocasiões, e aí comentamos sobre condições ideais para demonstrar. Ele pensou como seria bom termos uma maquete com a qual todos pudessem manusear , abrir, fechar, tocar, virar ... resumidamente ... cada um pudesse satisfazer todas as suas curiosidades sem pressa de importunar as abelhas e sem ter que disputar espaço para uma melhor visão.
Perguntou se eu não conseguiria fazer uma maquete com discos de isopor .
Fiquei com esta proposta na cabeça e comecei a pensar na dificuldade em imitar o trabalho perfeito das abelhas, em isopor.
Pensei ... pensei .... pensei ......
Um dia lembrei dos comprimidos ou melhor cápsulas de gelatina que muitas farmácias de manipulação utilizam para colocar seus preparados medicinais.
Bem... , foi assim que tudo começou ....

Fui em uma farmácia de manipulação pedi a atendente 1000 cápsulas vazias .... ela olhou e não acreditou ....
Deve ter pensado mil coisas .... menos as boas intenções da compra. 
Falou que não era vendido .... aí expliquei o nobre motivo do pedido .... ela mais uma vez olhou e resolveu chamar a farmacêutica ... 
Aguarda .... aguarda .... (devia estar prevenindo sobre o louco no balcão) ... vem a farmacêutica.
Explico tudo de novo e dou dados da quantidade de posturas de cada disco e a quantidade de discos em um ninho ... justificando a quantidade ,,,,

Ela pensou, pensou e finalmente cedeu. R$ 18,00 mil cápsulas .... Feliz, fechei negócio.
 

Depois de mais esta etapa foi só cola de isopor e muita paciência ....
Nasceu o primeiro disco ..
   
 Depois o anel nascente ....



 Depois com a ajuda do Carlos Ivan .... material para tornar os discos mais reais .... 
Cera de abelha ...
Coloquei água em uma vasilha e derreti um bom punhado de cera de apis.

Um mergulho rápido de um lado do disco.


Em seguida o outro lado ...
 

Atenção ... temperatura da cera estava em torno de 75°C ... 
E  o mergulho deve ser rápido mesmo ... depois que a primeira camada esfriar pode fazer mais uma ou duas em sequência até a aparência ficar semelhante aos discos reais.
A aparência final ficou mais ou menos assim em todos os modelos de disco ...
 

 A aparência final da pilha de discos ficou assim ...
 
 Cápsulas coladas abertas, foram coladas para dar a impressão de células pré postura ...
 Mas ficou faltando ainda um detalhe .... a diferença de coloração de cor entre os discos novos e antigos ...

Tentei anilina, tentei corante Xadrez, e nada grudava na cera nem se dissolvia a cera quente ....
Por fim tentei breu ,,,, 
Não ficou excelente, mas deu certo ...
Depois foi só montar em uma caixa real e colocar alguns potes de Jandaíra ....
Vou precisar fazer ajustes nas tonalidades de cada disco ,,,, mas dá para começar !!!
 Parece que a primeira turma gostou ....
Tudo pode ser dito sem pressa, com cada um podendo manipular em momentos diferentes.
Tudo aberto e as abelhinhas lá fora na caixa real ... sãs e salvas. 
E a maquete já rodou !!! Foi parar em um stand da AME-RIO em Itacuruçá.
Espero que tenha ajudado as pessoas que queiram dar aulas, apresentações ...
Matar a curiosidade de adultos e crianças ....
Lógico que nada disso substitui a aula prática, e a satisfação de ver o enxame aberto, mesmo que seja através de uma placa de vidro, mas resguarda as abelhas até que seja a hora certa de mexer ... !!! 
A maquete nunca substituirá a caixa verdadeira em nenhuma situação, mas em muitas podemos usá-la para não estressar tanto as abelhas ...
MEDINA